Posted in

Vice de Maduro diz desconhecer paradeiro do presidente e cobra prova de vida dos EUA

Foto: Eduardo Munoz/Reuters

Redação Plenax – Flavia Andrade

O governo da Venezuela afirmou neste sábado (3) que não foi informado sobre o paradeiro do presidente Nicolás Maduro após o anúncio de sua captura por forças dos Estados Unidos. Em pronunciamento oficial, a vice-presidente Delcy Rodríguez exigiu que o governo do presidente Donald Trump apresente uma prova de vida de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

A declaração ocorre após Trump afirmar, em uma rede social, que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o chefe de Estado venezuelano, retirando-o do país por via aérea junto com a primeira-dama.

“Diante dessa situação brutal e desse ataque, nós desconhecemos o paradeiro de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. Exigimos do governo Trump uma prova de vida imediata do presidente Maduro e da primeira-dama”, declarou Delcy Rodríguez em pronunciamento transmitido por rádio e pela TV estatal.

A vice-presidente não detalhou como ficará a condução do governo a partir de agora, mas afirmou que todos os planos de defesa do país foram ativados por decreto assinado por Maduro antes do ataque.

“O presidente Maduro já havia advertido o povo venezuelano de que uma agressão dessa natureza poderia acontecer. Ele convocou o povo às ruas, ativou as milícias e todos os planos de defesa integral da nação, com ordens claras às Forças Armadas em fusão militar, popular e policial”, afirmou.

Ataque e retirada por via aérea

Em sua publicação, Trump declarou que a operação foi conduzida em conjunto com forças de segurança dos Estados Unidos, mas não informou o destino de Maduro e de sua esposa.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea”, escreveu o presidente norte-americano.

Trump disse ainda que mais detalhes sobre a operação serão divulgados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília).

Explosões em Caracas e blecaute parcial

Na madrugada deste sábado, uma série de explosões foi registrada em Caracas. Segundo a agência Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de cerca de 30 minutos.

Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves sobrevoando a capital em baixa altitude e correria nas ruas. Parte da cidade ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul de Caracas.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves em operação sobre a capital venezuelana.

Governo fala em “agressão imperialista”

Logo após o início dos ataques, o governo venezuelano divulgou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque estrangeiro. Caracas não confirmou oficialmente a captura de Maduro, mas informou que o presidente havia convocado forças sociais e políticas para ativar planos de mobilização nacional.

“O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, garantir o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada”, diz o texto.

O governo classificou a ofensiva como uma “agressão imperialista” e acusou os Estados Unidos de tentarem impor uma “guerra colonial” para forçar uma mudança de regime e assumir o controle de recursos estratégicos do país, especialmente petróleo e minerais.

A Venezuela declarou ainda que se reserva ao direito de exercer legítima defesa e convocou governos da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade ao país.

Maduro sob pressão internacional

A crise se intensificou em agosto, quando os Estados Unidos elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro e reforçaram a presença militar no Mar do Caribe.

Inicialmente, Washington afirmou que as ações tinham como objetivo combater o narcotráfico. Posteriormente, autoridades americanas passaram a indicar que a derrubada do governo Maduro fazia parte da estratégia.

Em novembro, Trump e Maduro chegaram a conversar por telefone, mas sem avanços. No mesmo mês, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista, acusando o presidente venezuelano de liderar o grupo.

Nas últimas semanas, forças americanas apreenderam navios petroleiros da Venezuela, e Trump determinou um bloqueio contra embarcações alvo de sanções, acusando o governo venezuelano de prejudicar os interesses dos Estados Unidos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error

Enjoy this blog? Please spread the word :)