Redação Plenax – Flavia Andrade
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças norte-americanas, confirmada neste sábado (3) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é o ponto mais crítico de uma escalada de tensões que se intensificou ao longo dos últimos quatro meses. A ofensiva incluiu sanções, reforço militar no Caribe, ações navais, sobrevoos estratégicos e, por fim, ataques em solo venezuelano.
Na madrugada deste sábado, explosões atingiram Caracas e outras regiões do país. Trump afirmou que Maduro foi capturado e retirado da Venezuela junto com a esposa. O governo venezuelano declarou estado de emergência e acusou Washington de bombardear alvos civis e militares.
Recompensa dobrada e início da pressão
A escalada teve início em agosto, quando os Estados Unidos dobraram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão ou condenação de Nicolás Maduro. Pouco depois, Washington reforçou a presença militar no Mar do Caribe, com o envio de navios de guerra e um submarino nuclear.
Na ocasião, a Casa Branca passou a tratar Maduro como líder do chamado Cartel de los Soles, grupo acusado de operar o narcotráfico internacional e classificado posteriormente pelos EUA como organização terrorista.
No dia 19 de agosto, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo Trump estava disposto a usar “toda a força” contra o regime venezuelano, reforçando o tom de confronto direto.
Primeiros ataques e estado de exceção
Em setembro, os Estados Unidos realizaram o primeiro ataque contra uma embarcação supostamente carregada com drogas no Caribe. A partir desse episódio, operações em alto-mar se tornaram frequentes e passaram a ocorrer também no Oceano Pacífico.
No fim do mês, o governo da Venezuela decretou estado de exceção, concedendo poderes especiais ao presidente em caso de agressão estrangeira, citando diretamente os Estados Unidos.
Operações secretas e demonstração de força
Em outubro, Trump anunciou ter autorizado operações da CIA em território venezuelano no âmbito da campanha contra o narcotráfico e voltou a mencionar a possibilidade de ataques terrestres. Semanas depois, afirmou que alvos estratégicos já haviam sido identificados dentro da Venezuela.
No dia 15 de outubro, três bombardeiros B-52 da Força Aérea dos EUA realizaram um voo próximo ao espaço aéreo venezuelano, em uma clara demonstração de força militar. No mesmo período, a imprensa americana passou a noticiar que o objetivo final da estratégia dos EUA seria derrubar o governo Maduro.
Tentativa frustrada de diálogo e novas sanções
Em novembro, o porta-aviões USS Gerald Ford, o maior do mundo, chegou ao Mar do Caribe, ampliando a capacidade de ataque dos Estados Unidos na região. O navio pode operar até 90 aeronaves entre caças e helicópteros.
Ainda naquele mês, Trump e Maduro conversaram por telefone, mas, segundo a imprensa americana, o diálogo terminou sem avanços. Dias depois, Washington incluiu oficialmente o Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas internacionais.
Bloqueio, apreensões e aproximação de Caracas
Em dezembro, a tensão atingiu um novo patamar. No dia 10, os EUA apreenderam uma embarcação que transportava petróleo venezuelano. Seis dias depois, Trump anunciou um bloqueio total a navios petroleiros alvos de sanções e afirmou que a Venezuela estava “cercada”.
No dia 18, caças F-18 americanos sobrevoaram áreas próximas a Caracas. Dois deles chegaram a ficar a menos de 100 quilômetros da capital, segundo dados de rastreamento aéreo.
Ataques em solo e captura de Maduro
Na madrugada deste sábado, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos, segundo a Associated Press. O governo venezuelano afirmou que ataques também atingiram os estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
Trump confirmou a ofensiva e anunciou a captura de Maduro. Caracas declarou emergência nacional, acusou os EUA de promover uma agressão imperialista e afirmou que não há informações oficiais sobre feridos até o momento.
No mesmo dia do ataque, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos anunciou o 30º bombardeio contra embarcações suspeitas de transportar drogas. Segundo dados divulgados por Washington, a operação já atingiu mais de 30 navios e deixou 115 mortos.
A captura de Maduro marca o episódio mais grave da crise entre os dois países e abre um novo e imprevisível capítulo na relação entre Estados Unidos e Venezuela, com impactos diretos para a América Latina e o cenário geopolítico internacional.

