Redação Plenax – Flavia Andrade
A trajetória de Roberto Medeiros, hoje CEO da EPI-USE na América Latina, é marcada por escolhas que uniram tecnologia, gestão e impacto social. À frente da multinacional sul-africana, ele conduziu um ciclo de crescimento que ampliou o faturamento da empresa no Brasil em seis vezes nos últimos sete anos, mantendo lucratividade média acima de 15%.
Filho mais velho de uma família simples e criado pela mãe, Roberto aprendeu cedo que estabilidade se constrói com disciplina. O interesse pela tecnologia surgiu ainda na pré-adolescência, e aos 14 anos ele assumiu o primeiro trabalho, dando aulas de informática para complementar a renda familiar — experiência que moldou seu compromisso com o aprendizado contínuo.
A formação acadêmica incluiu Administração, MBA em Gestão de Serviços pela FGV e especializações em gestão, inovação, finanças e governança. Ele também concluiu uma formação em Gestão de Mudanças pela Harvard University, realização que carregava desde a infância. Antes de chegar à EPI-USE, construiu carreira em consultorias e grandes empresas de tecnologia, liderando equipes e desenvolvendo uma visão clara sobre o papel social das organizações.
Essa perspectiva o levou a deixar uma carreira consolidada para assumir a liderança da operação brasileira da EPI-USE, companhia presente em mais de 40 países e reconhecida por aliar tecnologia a impacto social. Hoje, a empresa reúne quase 400 colaboradores no Brasil e cerca de 950 na América Latina.
Roberto atribui o avanço ao time que o acompanha. “Nada disso seria possível sem as pessoas que me cercam. Preciso de gente que discorde de mim, que traga visões complementares. Não tenho compromisso com o erro e aprendo todos os dias com a equipe”, afirma.
Tecnologia como meio — impacto social como propósito
A cultura da EPI-USE tem um diferencial raro no setor. Desde sua fundação, em 1983, na Universidade de Pretória, a companhia destina 1% de toda a receita global — não do lucro — a iniciativas sociais e ambientais permanentes. É esse modelo que sustenta o programa ERP (Elephants, Rhinos & People), que atua na preservação de elefantes e rinocerontes ameaçados e no apoio a comunidades vulneráveis na África e em outras regiões onde o grupo opera.
As ações incluem manutenção de reservas ambientais, proteção ativa da fauna e programas sociais contínuos. “Nosso negócio é o meio e o social é o fim”, resume o executivo, lema que se tornou marca de sua gestão.
Para ele, o futuro das empresas depende da capacidade de equilibrar inovação, responsabilidade e propósito. “Tecnologia é ferramenta, não propósito”, afirma Roberto, que busca transformar lucro em legado — especialmente para a filha. Quando perguntam a ela o que o pai faz, a resposta vem sem esforço: “Ele salva os elefantes.” Para o executivo, é nisso que todo o trabalho faz sentido.

