Redação Plenax – Flavia Andrade
Um projeto pedagógico inovador tem movimentado a rotina da Escola Interpares, instituição de Educação Infantil reconhecida pela abordagem sociointeracionista em Curitiba. A escola decidiu retirar temporariamente todos os brinquedos prontos das salas, com o objetivo de observar como as crianças reorganizam o brincar e constroem novas formas de interação quando não têm objetos tradicionais à disposição.
A mudança gerou, inicialmente, o que a equipe já esperava: frustração. Sem os brinquedos habituais, as crianças precisaram lidar com o tédio, rever hábitos e descobrir outras maneiras de ocupar o espaço. Mas a adaptação aconteceu rapidamente.
Em poucos dias, os pequenos passaram a criar suas próprias brincadeiras a partir de elementos do cotidiano: bancos viraram escorregadores, tapetes se tornaram pistas de corrida, cadeiras foram transformadas em barcos — e os ambientes comuns se converteram em cenários ricos em possibilidades.
De acordo com a diretora da Interpares, Dayse Campos, o experimento integra um estudo sobre autonomia, criatividade e construção coletiva do brincar. “Na perspectiva sociointeracionista, brincar não é apenas entretenimento — é o principal meio de aprendizagem na infância”, explica.
A retirada dos brinquedos prontos abriu espaço para que as crianças negociassem ideias, planejassem juntas, testassem hipóteses e criassem narrativas próprias — competências fundamentais para o desenvolvimento infantil.
“Quando tiramos os brinquedos, não tiramos o brincar. Devolvemos às crianças o protagonismo de inventar. Estamos acompanhando jogos e interações que não apareciam quando tudo já vinha pronto. A criatividade floresce quando o ambiente convida à invenção”, afirma Dayse.
Após o período de observação, os brinquedos foram devolvidos. O resultado surpreendeu a equipe: as crianças demonstraram mais cuidado com seus pertences, maior atenção ao ambiente e mais delicadeza nas relações com os colegas e consigo mesmas. “E o mais marcante”, destaca a diretora, “é que voltaram mais criativas, porque compreenderam que o brincar nasce de dentro — e que qualquer objeto pode se transformar em brinquedo”.

