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Lula alerta para “novo colonialismo digital” e cobra protagonismo do Sul Global na transição energética

O presidente Lula durante a terceira sessão de trabalho do G20: 'Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica'. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Redação Plenax – Flavia Andrade

Em discurso no segundo dia da Cúpula de Líderes do G20, em Joanesburgo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que países em desenvolvimento assumam um papel central na cadeia global de minerais críticos e na governança digital. Para Lula, o avanço da inteligência artificial e a corrida por recursos essenciais da transição energética não podem repetir lógicas de exploração do passado.

O presidente advertiu para o risco de um “novo colonialismo digital”, no qual nações detentoras de tecnologias de ponta concentram poder e dados, enquanto países ricos em recursos naturais permanecem à margem do desenvolvimento industrial. Ele defendeu que a soberania digital seja tratada como pilar estratégico e que a transição energética fortaleça a base produtiva de quem possui minerais cruciais para baterias, semicondutores e outras tecnologias sustentáveis.

Lula destacou que esse processo deve estar atrelado à promoção do trabalho decente. Segundo ele, 40% dos trabalhadores do mundo ocupam funções vulneráveis ao impacto da inteligência artificial, com risco de automação ou transformação. “A tecnologia deve fortalecer, e não fragilizar direitos humanos e trabalhistas. Cada painel solar, cada chip e cada linha de código precisam carregar a marca da inclusão social”, afirmou.

O presidente encerrou sua fala defendendo que o futuro só será equitativo se for compartilhado, sustentável e justo, e reforçou que proteger os trabalhadores é condição indispensável para o avanço tecnológico responsável.

Desigualdade, clima e energia na agenda
A participação de Lula no G20 tem sido marcada por posicionamentos firmes. No sábado, o presidente defendeu que a desigualdade seja reconhecida como uma “emergência global” e voltou a propor iniciativas como a taxação dos super-ricos e a troca de dívida por desenvolvimento e ação climática. Ele também tratou da necessidade de um “Mapa do Caminho” para a transição energética e a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis.

Além disso, Lula manteve reuniões com o chanceler alemão, Friedrich Merz, e participou de um encontro trilateral com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, durante a cúpula do IBAS.

O papel do G20 e a liderança sul-africana
Criado em 1999 e elevado a cúpula de chefes de Estado em 2008, o G20 reúne economias que representam mais de 80% do PIB mundial, 75% do comércio global e 60% da população do planeta. Em 2025, sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, a África do Sul conduz os trabalhos do bloco com foco em quatro eixos: resiliência a desastres, sustentabilidade da dívida de países de baixa renda, financiamento da transição energética justa e uso de minerais críticos como motores de desenvolvimento.

Os países do G20 também exercem influência direta nas redes globais de comércio. O total exportado pelo grupo saltou de US$ 8,2 trilhões em 2005 para US$ 17 trilhões em 2021, um avanço de 107%. Entre as principais mercadorias comercializadas estão veículos, eletrônicos, maquinaria industrial, petróleo, gás, minérios e produtos agrícolas.

O Brasil, por sua vez, exporta para membros do G20 aeronaves, petróleo e derivados, ferro, aço, minérios metálicos e uma ampla variedade de produtos do agronegócio.

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